quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Contos Africanos



UMA IDEIA TONTA



Um dia a hiena recebeu convite para dois banquetes que se realizavam à mesma hora em duas povoações muito distantes uma da outra. Em qualquer dos festins era abatido um boi, carne que a hiena é especialmente gulosa. 
- Não há dúvida de que tenho de assistir aos dois banquetes, pois não quero desconsiderar os anfitriões. Também as oportunidades de comer carne de boi não são muitas... mas como hei-de fazer, se as festas são em lugares tão distantes um do outro? 
A hiena pensou, pensou... e, de repente, bateu com a mão na testa. 
- Descobri! Afinal é simples... disse ela, muito contente com a sua esperteza. 
Saiu à pressa de casa. Assim que chegou ao local donde partiam os dois caminhos que levavam aos locais das festas, começou a andar pelo caminho que ficava do lado direito com a perna direita e pelo caminho que ficava do lado esquerdo, com a perna esquerda. 
Pensava chegar deste modo a ambas as festas ao mesmo tempo. Mas começou a ficar admirada de lhe custar tanto caminhar dessa maneira. E fez tanto esforço, que se sentiu dividir em duas de alto a baixo. 
Coitada, lá a levaram ao médico que a proibiu, desde logo, de comer carne de boi durante um mês. 

É muito tonta a hiena!

Fonte: http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-cenap/publicacoes/caderno%20de%20apoio%20a%20pratica%20pedagogica%20contos%20africanos.pdf

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A serpente que dava ouro


Era uma vez uma cidade chamada Canti, e sobre a qual reinava um rei chamado Canaiasen. Frequentava o palácio deste rei um brâmane muito sábio que lia traduções comentadas do Maabárata e dos puranas. Ao princípio, lia-as apenas para o monarca, depois passou a lê-las para toda a família real, e mais tarde para os nobres da Corte. Assim iam as coisas quando um dia o brâmane começou a ler, sozinho, num jardim, com voz e cantos melodiosos. Neste jardim vivia uma serpente. Havia no jardim uma panela cheia de ouro, e nela habitava a serpente. Esta serpente ouviu a leitura, a voz do leitor e o seu canto melodioso. Rastejou para fora da panela, e ficou-se a escutar a leitura. E sentindo o encanto da leitura, tomou uma das moedas de ouro, depô-la diante do leitor, e em seguida regressou à sua vivenda. No outro dia o leitor leu para a serpente um trecho muito grande, cantando-o com sua voz harmoniosa, e a serpente voltou a depor ante o brâmane uma moeda de ouro. Desde então, o brâmane passou a ler naquele jardim, todas as manhãs. E assim aconteceu que a serpente passou a gostar mais do brâmane do que de qualquer outro homem; ao retirar-se aquele, dava-lhe sempre uma moeda de ouro. Mas além do brâmane leitor, ninguém mais conhecia a gentileza da serpente. Assim estavam as coisas quando chegou um irmão de Devadata convidando-o para uma boda, pois a irmã de ambos, que vivia noutra aldeia, casava um filho. Bavadata escusou-se:
- Não posso ir. Tenho de ler para o rei.
Mas na realidade não queria perder uma só oportunidade de ganhar o ouro da serpente, e por isso não ia, não querendo que ninguém ficasse a par da história. Por esse motivo disse:
- Leva uma cunhada e teu sobrinho. Eu não posso ir.
Mas o irmão dirigiu-se ao rei, e pediu:
- Permite que meu irmão viaje.
E o rei disse a Devadata:
- Podes ir.
Então Devadata, que tinha um filho de vinte e cinco anos, muito instruido, levou-o consigo ao jardim e mandou-o ler próximo ao lugar onde vivia a serpente. A serpente ficou satisfeita; saiu da panela e ficou escutando. E o pai disse ao filho:
- Não contes a ninguém. Faze uma leitura diária. A serpente dar-te-á sempre uma moeda de ouro. Mas que ninguém saiba uma palavra.
Assim o aconselhou, e a serpente deu a sua moeda de ouro. Devadata pôs-se a caminho com a sua família, ficando seu filho. Primeiro lia para a serpente, e depois lia para o rei. Passaram assim três dias. Então pensou o filho do sábio.
- Dá-me sempre uma moeda de ouro. Isto significa que possui uma grande panela cheia de moedas. Preciso pegar a panela.
Concebeu este plano insensato, e um dia levou consigo um bastão, escondeu-o debaixo da almofada em que se sentava, e iniciou a leitura. Terminada esta, a serpente depôs no chão a moeda de ouro e preparava-se para rastejar até à sua vivenda, quando o sábio levantou contra ela o seu bastão, abatendo-a na cabeça. Como consequência do golpe, quebrou-se a pedra preciosa que a serpente levava na cabeça (*). Esta, enfurecendo-se, voltou-se sobre si mesma e mordeu o sábio e, depois de mordê-lo, regressou à sua vivenda. O filho do brâmane morreu da mordida. Dez dias depois estava de volta o velho sábio. Voltou a ler para a serpente e esta, então, de sua vivenda, gritou-lhe a seguinte estrofe em sânscrito:
- Estou triste porque se quebrou a minha pedra preciosa, e tu lamentas a morte de teu filho. De onde há de vir o amor quando o coração está destroçado? Leitor: fecha o teu livro!
Fonte: Contos Indianos, de Fernando Correia da Silva, Livros de Bolso, Edições de Ouro, Rio, 1966

Um poema de Manuel Bandeira

A onda a onda anda aonde anda a onda? a onda ainda ainda onda ainda anda aonde? aonde? a onda a onda Manuel Bandeira  BANDE...